O transtorno é alimentar?

Quando vi este questionamento no título de um artigo do site psicologiaacessivel.net fiquei pouco perplexa e mentalmente, pensei “NÃO!”. Não é alimentar, no sentido que a origem do transtorno não é a comida em si… Transtornos alimentares são produzidos por uma sociedade transtornada em que vivemos. Uma sociedade em que cada vez mais adoecemos fisicamente e psicologicamente em prol de um “corpo perfeito”.

O corpo que vemos na mídia, na capa da Boa Forma (#vácomDeus) e outras revistas do setor, na maioria das vezes é um corpo irreal ou um corpo que expõe sacrifícios, restrições e renúncias. Mesmo sabendo disso, porém, buscamos, desejamos e… nos FRUSTRAMOS! A mídia ganha, a indústria da beleza ganha, e nós perdemos. Perdemos saúde, autoestima, autoconfiança, motivação, e quem sabe até pessoas ao nosso redor.

A gente (me incluindo aqui) vive em uma sociedade que avalia tudo e todos – isso é bom, aquilo é ruim. Essa é gorda, aquela é magra. Esse é negro, aquele é branco… E todas essas avaliações são carregadas de conotações e julgamentos, e é exatamente por isso, por tanto avaliarmos e julgarmos as imagens dos outros, que temos tantas inseguranças com nossa própria imagem. E essa sociedade MATA, mata real! Pessoas que sofrem de transtornos alimentares são na verdade, vítimas da nossa sociedade transtornada. Por isso, faço aqui um APELO: acolha!

Acolha a pessoa com anorexia, acolha a pessoa com bulimia, compulsiva, ortoréxica. Ela precisa do seu amor e compaixão. Não do seu julgamento. Acolha sua amiga GORDA ou seu primo MAGRELO. Eles precisam de amor, da sua compaixão para desenvolver amor próprio e autocuidado e NÃO PRECISAM DE VERGONHA NA CARA! Olhe para pessoa que não sai da academia e vive pela sua imagem e reflita quais inseguranças ela pode ter também, e ACOLHA!

Peço: mais acolhimento e menos julgamento!

Mariana Shnaidermanm é psicóloga clínica, formada UFES, pós graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, pela FUCAPE, e membra do grupo de estudos #VcTemFomesDeQuê?.

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