Comer é um ato social – e devemos celebrar!

Novamente é preciso dizer, passamos por momentos em que tudo é 8 ou 80. Algo que eu sempre dizia e agora comecei a reformular porque as pessoas levavam para o extremo é: aprendermos a não tratar comida como recompensa. Se usamos a comida como a única resposta a todas as emoções e marcos da vida, criamos um comportamento de vício. Mas isso, em nenhum momento quer dizer, que a comida não deve estar presente nas nossas celebrações.

O ser humano é o único animal capaz de dar significado ao ato de comer. Não alimentamos apenas nosso corpo, colocamos cultura no alimento — o que possibilitou que criássemos a gastronomia. Sabe a música dos Titãs “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”? Do mesmo jeito que a vida não é gostosa se só satisfizermos as necessidades físicas para existência, o papel da comida não é só dar nutriente para nossas células. Comida é cultura. As preparações contam uma história de um povo e de um lugar — aquela espécie de planta que só da naquela região, aquela preparação que o povo de lá desenvolveu, o saber passado de geração à geração. Não é pouca coisa, a comida dá à nossa psique uma localização no mundo, de quem somos, a quem pertencemos.

Neste cenário, a comida sempre foi (e sempre será) um veículo de comemoração. Todas as religiões celebram com comida — a restrição da carne na quaresma e o peixe que simboliza a fertilidade da páscoa; o jejum seguido do banquete do Pessach; o corpo e sangue de Cristo da eucaristia. As grandes religiões deixaram o sacrifício animal, mas nunca o banquete. Nascimento, aniversários, casamentos — a comida é a celebração da vida, pois é ela que permite a vida. E esta simbologia, mesmo em épocas de abundância, segue para nós.

Comida de festa deve sim ser especial. Comida da vó, é sim um carinho. Não se como bolo de aniversário todo dia, pelo menos motivo que, brinca a etiqueta, não se faz dieta em festa. Brincadeiras a parte, pode-se comer ou deixar de comer o brigadeiro das festas infantis, isso é uma simples opção. O que não se pode é tirar o afeto da comida, nem transformá-lo em dependência.

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