Tempo de excessos e exageros

Vivemos no cenário dos excessos e exageros. Não é mais preciso esperar pelo prazer. Não é preciso esperar pela época dos morangos, das bananas, das castanhas. Não é preciso esperar que o trigo seja moído, que a massa seja preparada, que o pão seja assado. Não é preciso sequer esperar que um sanduíche seja montado.

Sem espera, sem plantio, sem colheita, sem sazonalidade, sem regionalidade, sem precisar ser feito por nós mesmos, sem grãos duros, sem cascas. O açúcar foi refinado, a farinha refinada e embranquecida, o conteúdo das embalagens aumentou, barateou, se espalhou por diversos pontos de venda. O salgadinho está no mercado, no posto de gasolina, na farmácia, na banca de revistas, no shopping…

Estabelecimentos 24h, para que você não precise esperar o comércio abrir.

Na moda, coleções novas a cada semana a preços acessíveis, mas se esperar alguns dias pode não encontrar mais aquela “brusinha” linda. No entretenimento, não é preciso esperar entre uma semana e outra pelo próximo episódio da nossa série preferida, temporadas inteiras podem ser maratonadas. Na alimentação, é possível pedir qualquer prato, de qualquer cozinha, em qualquer quantidade pelo aplicativo no celular.

A satisfação dos desejos são, quase sempre, imediatas.

Para onde foi o espaço para a frustração, a paciência, a reflexão? Se não há espaço para o descontentamento, para onde caminham nossos pensamentos? Se não há espaço entre a satisfação de uma vontade e o surgimento de outra, podemos acreditar que estaremos algum dia satisfeitos e felizes?

Julia Wagner é psicóloga clínica e participante do Grupo de Estudos #VcTemFomeDeQuê?

A academia vai além

Hoje amanheceu um dia lindo. Domingo de sol. Em geral, acordo cedo. Mesmo aos domingos. E resolvi ir para a academia. Embora não seja a atividade que mais gosto de fazer, me divirto. Rio com meus “desajeitos” nas turmas de funcionais e sempre saio de lá com um novo aprendizado. E vejo sentido no que faço lá. Quero ter um futuro podendo me abaixar, andar, ter autonomia e independência. E para isso preciso de várias atitudes HOJE. Ter relações de amizade, ter prazer na vida, me aceitar e ser ativa. Eu faço yoga (AMOOO) e canto também. (ADORO). E também vou à academia; Sem essa de “tá pago”. No meu ritmo. Um dia uma aula de funcional. Um de esteira. E as aulas em grupo. Ah… as aulas em grupo” As que mais gosto”.

Continuar lendo “A academia vai além”

Você é o que você come?

Pode-se dizer que tais saberes sobre o sujeito e o comer, definido como um ideal, alteram-se ao longo do tempo. No século XX, a saúde torna-se sinônimo de boa forma, impondo-se como um projeto pessoal. Surge assim, o discurso médico da longevidade, qualidade de vida, saúde e boa forma associado à alimentação, tendo como pano de fundo uma cultura de prevenção e securidade, ou seja, uma noção de saúde perfeita e passível de controle a partir das quantidades e horários que os alimentos devem ser ingeridos.

Continuar lendo “Você é o que você come?”

Qual é o peso do seu peso?

Quando você sobe na balança, quais números você vê? Aquele momento obscuro, aflitivo, aquele momento que parece que te define. Você sobe. Pronto, estão lá, estão gritando para você ver e agora também estão impressos na sua mente. Esses dígitos que te acompanham e parecem te definir.

Continuar lendo “Qual é o peso do seu peso?”

O transtorno é alimentar?

Quando vi este questionamento no título de um artigo do site psicologiaacessivel.net fiquei pouco perplexa e mentalmente, pensei “NÃO!”. Não é alimentar, no sentido que a origem do transtorno não é a comida em si… Transtornos alimentares são produzidos por uma sociedade transtornada em que vivemos. Uma sociedade em que cada vez mais adoecemos fisicamente e psicologicamente em prol de um “corpo perfeito”.

Continuar lendo “O transtorno é alimentar?”

Boa tarde, eu me chamo satisfação.

Sim, muito se diz sobre fome e saciedade. Vou até falar mais sobre eles em outro momento, mas falamos pouco de SATISFAÇÃO! Ainda mais nós, mulheres, que por muito tempo fomos restringidas em nossos prazeres. Quer saber de uma coisa? Comer é, além de nutrição, prazer! Quem diria. E digo mais, prazer não é pecado.

Continuar lendo “Boa tarde, eu me chamo satisfação.”

Bem me quero, bem me faço

Faz um tempo que tento escrever sobre autoestima e sempre empaco. Considero um assunto extremamente importante, fonte das nossas maiores inseguranças, responsável por vidas sem graça, apatia. E Acho que depois de tanto ensaiar, entendi o porquê. Autoestima sempre foi o meu calcanhar de Aquiles. Então, para falar sobre o tema, impossível não falar de mim. Assim, compartilharei com vocês a minha experiência pessoal sobre o assunto.

Continuar lendo “Bem me quero, bem me faço”