Exercício & Autocuidado

Um dos comportamentos mais desafiadores de se adquirir como um hábito é o de se exercitar. Em geral, fazer exercícios é uma meta comum entre aqueles que desejam atingir objetivos relacionados a peso corporal e/ou definição muscular. É extremamente comum as pessoas lembrarem de que precisam se exercitar quando se olham no espelho e se sentem insatisfeitas com o seu corpo. E aí o impulso que move a pessoa a se exercitar é o desejo de mudar o corpo.

Querer mudar o corpo não é um problema, desde que os limites da saúde sejam respeitados. Mudar o corpo se torna uma questão preocupante quando a pessoa se mostra obsessiva, as vezes até compulsiva, em alguns comportamentos extremistas, que desrespeitam totalmente a fisiologia e estressam negativamente o nosso corpo-mente. Alguns exemplos seriam fazer jejuns rígidos, uso indiscriminado de remédios, laxantes, diuréticos, anabolizantes, enfim, qualquer ação que coloque em risco a saúde da pessoa.

Nessa ânsia por um corpo diferente também pode ser vista uma prática disfuncional de exercícios. É quando a pessoa se exercita de forma excessiva (muitas horas por dia ou semana), compulsiva (mesmo com dores, lesões, sem respeito aos sinais de fadiga), desconectado do que o corpo sinaliza devido ao foco obsessivo em atingir uma meta específica.

A busca por resultados pode fazer com que muitos praticantes de exercícios se sintam mais ansiosos quando percebe que o corpo está mudando, porque aí a pessoa quer mais e mais e nunca está bom o suficiente; pode despertar também irritabilidade quando o corpo não demonstra que o resultado está vindo a tona; ou ainda frustração, senso de incompetência, devido ao corpo ter um tempo de mudança diferente do que a pessoa gostaria.

Muitas vezes a pessoa abandona a prática de exercício quando o corpo não dá sinais de que está progredindo esteticamente. E aí que mora o problema. O corpo até está progredindo, porém, a pessoa não sente as mudanças porque está buscando outro objetivo que exige mais tempo, e a saúde que está em plena expansão neste corpo, por vezes, não é nem sequer reconhecido.

Se exercitar regularmente desperta benefícios no corpo que podem não ser visíveis a olho nu, mas podem ser sentidos por aqueles que conseguirem sintonizar de forma mais profunda consigo mesmo. Se ao invés de buscar somente o resultado estético, a pessoa se permitir estar conectada ao momento presente, certamente ela vai sentir o quanto a disposição, o ânimo, a vitalidade, e o bem-estar pulsam dentro de si. Quando a pessoa está muito ocupada perseguindo um objetivo estético, ela não enxerga os presentes que podem ser conquistados durante a trajetória.

Portanto, se exercitar com respeito ao corpo de maneira saudável, sempre vai trazer benefícios a saúde. Mas será que esses benefícios podem ser conquistados mesmo sem suar?

Sim, lógico! Suar nada mais é que um sinal de que seu corpo está fazendo um trabalho de regulação da temperatura interna em relação a externa. Durante a prática de exercícios, várias alterações fisiológicas ocorrem, como o aumento da frequência cardíaca e respiratória, o trabalho celular de fazer o movimento acontecer, tudo isso gera um aumento da temperatura, afinal, internamente o exercício está “agitando” nossos sistemas. Para equilibrar, o corpo precisa fazer um ajuste e por isso, faz uso do sistema tegumentar juntamente com as glândulas sudoríparas, para assim a pele ajudar a “resfriar” o calor interno, e isso resultar em suor. Vale ressaltar que o suor depende também do meio ambiente em que estamos, ou seja, se estou num clima muito úmido vou suar mais, se estou num ambiente seco (exemplo, ar condicionado) vou suar menos. Isso porque o suor depende da troca do meio interno com o externo, logo o meio que envolve a pele vai determinar também a quantidade de suor.

Se você acreditar que o seu esforço praticando exercício só vai valer a pena se suar muito, cuidado! Você pode desrespeitar os limites do seu corpo impondo um ritmo extenuante só para suar, quando na verdade todo o sistema do corpo humano já está trabalhando ativamente a seu favor. E se você impede que essa troca entre meio interno e externo aconteça utilizando roupas que dificultam o suor, se exercitando em saunas, em temperaturas maiores só pra suar mais, você está estressando mais ainda o seu corpo, ao invés de cooperar com ele. Esqueça a ideia de que suar é derreter suas gorduras, isso é uma crença!

Por outro lado, se você é aquele que “economiza” o esforço porque detesta suar, respeite seu suor, ele é muito digno, pois é a prova concreta de que seu corpo está se autorregulando, logo seu suor é bem-vindo 😉

Inclusive, se o suor estiver incomodando demais o seu treino porque você acredita que está além do normal, investigue se não é um quadro de hiperidrose. Nessas situações o corpo sua mesmo quando não se está treinando. O oposto, anidrose, também pode provocar desconfortos como tonturas, vertigens e até câimbras, pois significa que seu ambiente interno não está conseguindo se regular e dissipar o calor. Em ambas situações vale buscar uma avaliação de um clínico geral e/ou endocrinologista, por se tratar de um funcionamento glandular.

Contudo, podemos concluir que o suor não é um parâmetro confiável para medir nosso esforço porque sua quantidade vai depender do meio ambiente e de características individuais dos sistemas do corpo humano.

Independentemente da quantidade de suor, tenha em mente que se exercitar faz bem e que focar no que você sente antes e após a sessão de exercício pode despertar muito mais satisfação e interesse em praticar novamente seu exercício. E assim, sua prática será uma grande aliada do seu dia-a-dia, por contribuir no manejo do estresse, na sua qualidade de vida, te deixando mais feliz e otimista para lidar com as surpresas de cada dia. Isso é ser um praticante de exercício intuitivo.


Paula Costa Teixeira 
@exerciciointuitivo
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