Tempo de excessos e exageros

Vivemos no cenário dos excessos e exageros. Não é mais preciso esperar pelo prazer. Não é preciso esperar pela época dos morangos, das bananas, das castanhas. Não é preciso esperar que o trigo seja moído, que a massa seja preparada, que o pão seja assado. Não é preciso sequer esperar que um sanduíche seja montado.

Sem espera, sem plantio, sem colheita, sem sazonalidade, sem regionalidade, sem precisar ser feito por nós mesmos, sem grãos duros, sem cascas. O açúcar foi refinado, a farinha refinada e embranquecida, o conteúdo das embalagens aumentou, barateou, se espalhou por diversos pontos de venda. O salgadinho está no mercado, no posto de gasolina, na farmácia, na banca de revistas, no shopping…

Estabelecimentos 24h, para que você não precise esperar o comércio abrir.

Na moda, coleções novas a cada semana a preços acessíveis, mas se esperar alguns dias pode não encontrar mais aquela “brusinha” linda. No entretenimento, não é preciso esperar entre uma semana e outra pelo próximo episódio da nossa série preferida, temporadas inteiras podem ser maratonadas. Na alimentação, é possível pedir qualquer prato, de qualquer cozinha, em qualquer quantidade pelo aplicativo no celular.

A satisfação dos desejos são, quase sempre, imediatas.

Para onde foi o espaço para a frustração, a paciência, a reflexão? Se não há espaço para o descontentamento, para onde caminham nossos pensamentos? Se não há espaço entre a satisfação de uma vontade e o surgimento de outra, podemos acreditar que estaremos algum dia satisfeitos e felizes?

Julia Wagner é psicóloga clínica e participante do Grupo de Estudos #VcTemFomeDeQuê?

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