A dor e a descoberta da vida sem dietas

Alguém te disse que seria fácil? Nunca é. Vivemos em uma sociedade doente. Regras, padrões, corpos irreais e a cultura do belo estão ai, principalmente como forma de controle feminino.

A alimentação, porém, é mais complexa. Ela tem aspectos biopsicossociais, isso quer dizer que comemos porque infinitos motivos. Porque nosso corpo precisa de nutrição, porque estamos em um evento importante e todos estão comendo, porque tivemos um dia daqueles, porque passamos no vestibular ou conseguimos aquela vaga de emprego, porque queremos, porque temos vontade, porque “deu a hora do lanche”, porque…. complete com qualquer motivo!

Um exemplo? Quantas vezes não fazemos uma panela de brigadeiro porque estamos muito chateadas? E está tudo bem. Agora, algumas pessoas acabam tendo comportamentos extremamente disfuncionais em relação à comida. Muito porque a única maneira que sabem lidar com alguma dor é comendo.

Comendo? Como assim? O que tem a ver?

Bem…Tudo!

Quando nascemos, o primeiro reflexo – após a respiração – é o reflexo de busca pelo peito. Um bebe nasce querendo sugar. Quando começa, uma onda hormonal, principalmente de ocitocina, é liberada — e pasme, ocitocina, hormônio da descida e produção do leite, é também conhecido como hormônio do amor. Oi? Isso. Nosso primeiro reflexo ao nascer é ligado à boca, ao sugar, que estimula o hormônio do amor. Quem pode negar que comida = afeto?

Crescemos e talvez não seja mais o peito da mãe o lugar de afago, mas o bolo quentinho da avó, o macarrão da tia e o colo do pai. Faz sentido? Nesse balaio de gato, acabamos também aprendendo a “lidar” com as emoções, comendo. Comemos nossas frustações, nossas dores e desconfortos.

A decisão de trabalhar com a nutrição comportamental, de entender as simbologias e os motivos pelos quais comemos, envolve ir tirando as vendas, cortinas e destampando feridas. Dói. Dói demais. Sabe por quê? Porque daí, o que restam são as dores, os incômodos e as frustações. Parar de fazer dieta, parar de alimentar essa obsessão pelo corpo nos direciona ao que realmente importa nos faz olhar e focar ao que estamos fugindo e isso requer raça. Requer foco, força e fé.

Dar conta da frustração, dar conta das dores e olhar para todos os incômodos é sim um caminho árduo, mas ouso dizer que é o mais libertador e lindo. Tirar as vendas dos olhos, as amarras das mãos e sair da jaula te possibilita ser você, olhar para você e viver em toda sua integridade.

Ouse mais. Invista na coragem de ser quem você é. Enfrente e fique cara a cara com seus sentimentos! A comida pode ser motivo de conforto, mas não de fuga. A comida é sim afago, mas não sufoco. Ela nutri o corpo e a alma, não a destrói. Acredite.

Natália Vignoli é nutricionista, Pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional; pós-graduanda em Nutrição Materno Infantil e membro do grupo de estudos #VcTemFomedeQue?

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