Comer intuitivo, mindful eating, e a naturalidade que perdemos

Hoje falamos muito em comer intuitivo, mindful eating e nutrição comportamental — 3 correntes complementares que eu apoio e admiro muito. Mas toda essa nomenclatura só tenta recuperar algo que parece perdido: o simples comer.

Precisamos dessas linhas de trabalho porque perdemos nossa naturalidade em comer. Não sabemos o que é fome eo que é saciedade, para começar. Também se por um lado aceitamos produtos completamente artificiais passarem por alimento, também temos medo de comidas deliciosas só porque elas não apresentam o perfil vitamínico ideal. Não, margarina não é comida. E não, doce e açúcar não são saudáveis para o corpo, mas quem disse que a única função importante da comida é nutrir o corpo? E nutrir os momentos, isso não é importante?

Pois é, não entendemos mais que um corpo é biologia e psicologia juntos, e não matemática, e achamos que tem uma equação exata para o que e quanto cada um deve comer. Uma porção exata, independente de dia, de estado, de local. Ninguém é igual a ninguém, e ninguém é igual todos os dias, porque achamos que a comida ideal deve ser uma única, fracionada em macros, pesada na balça, tudo em sua exatidão? Aliás, porque achamos que a comida precisa ter um padrão ideal?

Quanto mais a comida aparece na mídia, menos as pessoas sabem o que comer. Por isso que criamos linhas como comer intuitivo, mindful eating e nutrição comportamental. Mas bom seria se tudo fosse, simplesmente, comer.

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