Ano novo, vida nova?

Todo ano novo, mesmo quem diz que não faz resolução, no fundo faz. Não tem como ignorar a data simbólica e falar que nada muda. O marco traz sim um momento de reflexão do que foi e do que queremos. E sim é uma oportunidade para mudar o que não queremos mais, mas precisamos tomar cuidado com algumas armadilhas que nós mesmos traçamos.

Na euforia da virada, imaginamos um mundo, com diz a música: “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Só que os dias vão passando, as semanas, os meses, e muitas vezes chegamos novamente na virada com as mesmas resoluções. Acontece que ano novo, não é vida nova. Infelizmente (ou felizmente) o ditado não é real. Porque depois da euforia da virada, de relembrar o que fizemos no ano passado, nas alegrias, e no que queremos fazer diferente, chega a vida normal. Voltamos para o nosso dia a dia, e embora as páginas do calendários tenham mudado, nós somos as mesmas pessoa.

O que acontece é que primeiramente idealizamos o nosso eu-futuro. Pensamos, q no fundo acreditamos, que agora vamos ser perfeitos, que neste ano que chega nós não vamos nos estressar, vamos dormir em um bom horário, mas sair mais com os amigos; comer bem, mas sem nóias; trabalhar bem, mas sem muitas horas extras… Pensamos, “este ano a vida será como deveria ser”. Mas acontece que esse “como deveria ser” não existe. As coisas são imperfeitas, inclusive nós.

Nós olhamos para onde queremos chegar e não para e estrada, e quando os desafios chegam falamos “mas não era bem isso que eu queria”. Quando erramos, vemos um fracasso e chutamos o balde. Ano novo é sim uma nova oportunidade de fazer diferente, mas para isso precisamos que algo em nós também mude. Precisamos largar a mão de muletas que sabemos que não nos fazem bem, mas temos medo de mudar. Só que precisamos mudar. Como diz a música de Chico Buarque, “já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada”.

O que eu proponho nesse ano não é uma lista de resoluções impossíveis, ou que nos encontremos no outro lado desse novo ciclo, em 2019, com uma vida perfeita e sem problemas, isso não existe. Mas proponho é que quem sofre com suas relações com a comida e com seu próprio corpo apenas seja sincero consigo mesmo: a minha muleta me traz um conforto, ou só me traz mais sofrimento? É só quando admitimos para nós mesmos que nossas ações nos sabotam que desatamos os nós para começar a fazer diferente.

Feliz ano novo!

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