Você Tem Fome De Quê?: A comida no consultório

Quem acompanha meu projeto desde o início viu que ele passou por diversas fases, que acompanharam minha trajetória pessoal e profissional. Se você está chegando agora, ou se você quer relembrar esse percurso, vamos bater um papo.

O #VcTemFomeDeQuê? começou muito antes do projeto. Começou quando eu decidi recuperar minha saúde. Com síndrome metabólica diagnosticada, e acima do peso, eu já havia mudado o número da balança para cima e para baixo muitas vezes, mas nunca pensando na minha saúde, só pensando no dígito que iria aparecer.

Até que eu resolvi priorizar a mim mesma. Com essa jornada comecei a falar publicamente sobre o assunto e levá-lo ao meu consultório, afinal nunca antes falamos tanto em comida, e na palavra saúde, mas também parece que nunca antes tivemos uma atitude tão pouco saudável em relação à comida.

Em um primeiro momento, até mesmo por uma identificação com minha história, via muito em consultório pessoas que mesmo apavoradas com o diagnóstico de doenças de estilo de vida (obesidade, hipertensão, diabetes, síndrome metabólica), não conseguiam seguir o que o médico indicava. Ela sabiam em teoria o que deveriam fazer, mas na prática não conseguiam se priorizar. Comecei a investigar que relação é essa que temos com a comida que por vezes é mais forte do que nossa vontade de cuidar de nós mesmos.

Passado o tempo, e depois de meses me aventurando no instagram, conheci um novo viés. Um que não tinha experimentado tanto na pele. O de pessoas que leva a teoria alimentar tão a risca que esquecem que a vida também tem momentos fora da regra. Comecei a receber no consultório pessoas que diziam não conseguir seguir a indicação do médico ou nutricionista, só porque abriam exceções que no fundo eram normais. Essas eram pessoas, diferentes do primeiro grupo, saudáveis fisicamente. Não estavam medicamente acima do peso, não tinham doenças metabólicas, mas tratavam seus objetivos estéticos com a mesma gravidade que se espera de um diagnóstico de diabetes.

Entendam, não há nada de errado em se ter objetivos estéticos, mas eu, como psicóloga, espero uma preocupação com a dieta muito menor de alguém que quer diminuir o número da calça, do que alguém que se não mudar seus hábitos muito provavelmente terá uma morte precoce. Mas não era isso que ocorria. Não apenas a questão estética parecia ter um peso infinitamente maior, mas as atitudes decorrentes eram tais que transformava pessoas antes saudáveis em pessoas agora doente por privações ou abusos de dietas.

Aí novas questões ocorreram: que relação temos não só com a comida, mas com nós mesmos que a saúde é jogada para escanteio?

E é aqui que estamos hoje. Querendo fomentar uma vida saborosa que valorize nossa saúde física e mental, para que possamos degustar a vida, e não engoli-la se perceber, ou nos privar dela.

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