Sororidade: a união entre mulheres

“O que é sororidade?” Essa foi uma das perguntas mais procuradas no Google em 2017. A curiosidade do fato de que a palavra voltou a fazer parte do vocabulário das pessoas reflete algo mais importe: uma vontade de uma nova relação entre as mulheres.

Sororidade vem do latin Soror, que quer dizer “irmã”, sendo assim a palavra feminina para “irmandade”. O dicionário explica como “relação de irmandade, união, afeto ou amizade entre mulheres, assemelhando-se àquela estabelecida entre irmãs”. Mas só de tocar no assunto sabemos que o significado para cada uma de nós pode ser mais profundo.

O resgate da palavra é uma forma de ir contra a cultura de que mulheres são competidoras entre si, seja nas relações afetivas, nas carreiras ou qualquer outro aspecto da vida mas sim cúmplices. Isso porque, em um momento que questionamos a posição da mulher em uma sociedade que por séculos foi patriarcal e que agora mostra novas configurações, vemos que muitas tensões sociais vêm de dentro dos próprios círculos femininos.

Entenda, a vida há momentos de competições saudáveis, mas por muito tempo normalizou-se uma cultura em que estamos sempre olhando para o lado, nos comparando com as outras, nos colocando em um ranking de quem é mais bem sucedida, mais magra, mais bonita… E tudo isso deixa de ser saudável.

Na questão de ideais de beleza, sempre critica-se a sociedade, os meios de comunicação, as campanhas publicitárias por exigirem o inalcançável. E isso não é mentira. Mas somos nós mesmas as primeiras a apontar os defeitos das outras, e muitas vezes de modo cruel.

O pior de tudo isso é que assim que classificamos alguém em uma posição, mesmo para a colocarmos para baixo, não apenas sabemos que outras podem ter o mesmo olhar conosco, mas também classificamos a nós mesmas. Quando criticamos as ações ou o corpo de uma mulher para nos sentirmos melhor com nós mesmas, sabemos que há a posição de outras que secretamente invejamos e nos auto inserimos nesse quadro comparativo. Instituímos essa relação de uma em oposição à outra.

Antes de criticar o uso excessivo de photoshop em revistas, que tal nós mesmas darmos menos importância ou audiência para quão rápido uma celebridade engordou ou emagreceu? O mesmo vale para os pitacos judiciosos à novas mães, as opiniões desnecessárias à colegas de trabalhos, e os comentários maldosos às amigas em geral, seja qual for a situação. A partir do momento que começamos a ser mais generosas umas com as outras, não só abrimos espaço para essa reciprocidade de gentilezas, mas como passamos também a ser mais generosas com nós mesmas. Deslocamos a dinâmica e nos tiramos dessa relação comparativa de competição em que uma tem que ser julgada em parâmetro com a outra, para entender que somos todas mulheres ao nosso próprio modo. Únicas, e por isso, sem comparação.

Digo únicas porque não há nada mais feminino do que ser você mesma. Enquanto os homens vestem ternos como um uniforme, as mulheres se incomodam por estarem vestidas com a mesma roupa. O masculino classicamente é estabelecido por padrões, o feminino pela surpresa. Vamos celebrar, umas as outras, a forma surpreendente de cada uma ser a sua própria mulher.

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